Saúde e doença na visão sistêmica – O que cura e o que faz adoecer

A saúde do corpo e a saúde da alma andam juntas.  Podemos dizer que o corpo está a serviço da alma. Através dos sintomas o corpo está, muitas vezes, comunicando um chamado da alma.

Quando o corpo adoece ou aparenta sintomas, o primeiro passo a tomar é procurar um médico. Assim deve ser. A medicina detém o saber capaz de ofertar os tratamentos adequados. Entretanto, para além das causas orgânicas, podemos observar que, por trás de muitos processos de adoecimento, atuam dinâmicas inconscientes ou – como gosto de dizer  – chamados da alma. Muitos médicos sabem disso e perguntam ao paciente: “O que há com você? Como está sua vida? Onde na sua vida o amor, a alegria, o humor, precisam estar mais?” Em muitos casos, a medicina oferece os recursos e o sintoma logo desaparece – mas não desaparece o chamado da alma. Em breve, outro sintoma, outro sinal do corpo.

O corpo sabe. O corpo fala. Fala daquilo que não é dito. Fala do que é excluído, negado, negligenciado. Fala de feridas não curadas. O corpo expressa toda a nossa história pessoal e – para além dela – expressa também nossa história ancestral. O corpo é mais do que o “meu corpo”, nele se manifestam as ressonâncias dos sistema.  Movimentos de vida, movimentos de morte. Um sintoma é uma mensagem, uma memória sistêmica. O corpo sabe. O corpo não apenas fala, como também grita.

Na maioria das vezes, quando estamos olhando para um sintoma, estamos olhando para uma exclusão. Estamos cegos, surdos, insensíveis. A dor é o que chama para a vida. Ela é a ponte entre a cura e a doença. A dor é a expressão, a “voz” da doença. Por isso podemos nos alegrar com a dor, porque ela clama por algo. Ela ainda não desistiu. Uma dor crônica significa que estamos surdos ha muito tempo. Uma doença crônica mostra uma dinâmica antiga que não é ouvida, na maioria das vezes, há muitas gerações,  algo que espera por tornar-se completo há muito. O corpo fala, mas não é ouvido.

Portanto, ser saudável é uma consequência, é um efeito natural que ocorre quando escutamos e respeitamos o que pede nossa alma.

Um sintoma sempre pede uma mudança. Um sintoma não é uma doença, ele é um sinal de grande inteligência do nosso corpo físico. Um sintoma não é um castigo, um erro; um sintoma é uma benção.  Um sintoma é a vida se manifestando, é uma oportunidade. Um sintoma é amor – a energia que conecta os elementos no sistema. Amor para com o pai, com a mãe, com os antepassados, para com a vida. Um sintoma é apenas uma oportunidade, um caminho. A cura é uma jornada.

Assim, os caminhos para a cura envolvem a prática de posturas como:

 

  1. Incluir

O primeiro passo para a saúde é incluir. Incluir o que está excluído, abafado.  E que está excluído? O próprio sintoma, nossas dores, feridas, partes de nós mesmos e também para além de nós mesmos: dores, emaranhados e exclusões presentes no nossa ancestralidade. Incluir significa olhar, dar um lugar no coração, concordar que aquilo existe, olhar com carinho e respeito.

  1. Ordem

O segundo caminho para a cura é a ordem. Ordem tem a ver com o lugar que se ocupa; cada coisa em seu lugar. Portanto,  reordenar as prioridades, as tarefas e – principalmente – ocupar com propriedade o meu lugar no mundo: quem sou eu, qual é o meu chamado, o que minha alma pede, a que sou chamado a servir?

Cada um de nós tem uma missão única. Sabe qual é? CUIDAR DE SI. Sair dessa existência melhores do que entramos. Nossa principal missão é curar a nós mesmos.

  1. Gratidão/Compensação

O terceiro caminho para a cura é a gratidão. Receber o que foi dado com gratidão, para devolver com generosidade.

Assim, concluimos que saúde e doença são expressões de nossa alma. Elas apontam para onde olha a nossa alma. O que verdadeiramente cura não tem receita, não tem nome, nem fórmula. A cura é uma jornada pessoal e intransferível que começa na disposição em olhar para o que está por trás do aparente e acolher o que há muito espera por um lugar.

 

Fonte: Além do Aparente – um livro sore Constelações Familiares (Olinda Guedes)

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