Sintoma da criança: um convite aos pais

Em meu trabalho terapêutico com crianças, venho sempre contatando que, por trás do sintoma ou dificuldade de uma criança, está, comumente, o amor dela por seus pais e sua família. Movida por esse amor, a criança assume, através de seu sintoma, o papel de portadora de uma mensagem para a família. Geralmente, essa mensagem é um convite: ”Papai, mamãe, olhem para isso que vocês estão evitando olhar. Isso que é difícil, que traz dor.  Tragam para perto, dêem um lugar. Se vocês não fazem isso, eu faço por vocês.” Com seu sintoma, a criança faz um sacrifício.

Isso tudo a criança faz por amor a sua família e, em especial, aos pais.

Sobre esse amor infantil, nos diz Bert Hellinger:

“A criança se une a sua família para o que der e vier. Não importa o que seja exigido aí, a criança o preenche com amor, mesmo que isso custe a felicidade e a vida. Algumas pessoas pensam que a principal necessidade da criança é ser amada. A principal necessidade da criança é amar  e mostrar esse amor. A criança pensa que seu amor é todo poderoso, que se ela amar suficiente, isso trará felicidade para outra pessoa. Se ela se sacrificar também. Essa é uma postura mágica, como se estivesse em suas mãos a felicidade do outro. Frequentemente, os pais tem em relação aos filhos essa memsa postura. Pensam que se amarem o filho o suficiente, tudo dará certo para ele. Muitos querem salvar seus pais através do amor, ou os pais querem salvar seus filhos. Isso não é possível. O amor é, ao mesmo tempo, o sentimento mais profundo e doloroso, e é sempre ligado à experiência de total impotência. É preciso confiar tudo a uma força maior que não conhecemos. Isso seria aqui a solução.”

É por isso que eu sempre gosto de dizer: uma criança não faz terapia sozinha. A terapia da criança, via de regra, envolve toda a família. Isso não significa buscar nos pais ou na família os “culpados” pela dificuldade da criança. Na terapai, ao contrário, toda a família é olhada com muita honra e respeito, reconhecendo que,   quando uma criança ali chega – trazida pelos pais em função de um sintoma aparente – ela está trazendo também todo  o seu sistema familiar e fazendo um convite para que as feridas e conflitos ali presentes possam ser olhados com amor e ressignificados, a favor da harmonia de todos os envolvidos. O processo terapêutico é o espaço onde esses movimentos podem vir a luz e seguir o seu curso para que, então, a criança possa seguir livre.

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